segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pós-modernidade e individualismo: A necessidade de reencontrar o eu.

Ao mergulharmos no tempo e analisarmos o início das relações humanas, enxergamos nessa sociabilidade característica nossa, certo romantismo, ou melhor, um sentido realmente de humanismo entre os seres. A noção altruísta do homem era superior à egoísta, não pela questão racional, mas pela própria necessidade, já que a vida em grupo significava maior possibilidade de ultrapassagem dos vários obstáculos e barreiras que nossa espécie se defrontou. A felicidade era considerada uma ação grupal. O homem, mesmo ainda limitado em relação ao conhecimento do mundo físico-natural, sentia-se pertencente à totalidade, enfim, sentia-se homem.
Após a diferenciação de classes, típico do ato civilizatório, o cenário da vida e seus respectivos personagens assumem posturas, que, ao passar dos anos, se solidificaram como essência da existência humana, o individualismo. A noção de propriedade privada, assim como afirmou Frederich Engels, “foi o início da destruição do homem pelo próprio homem”. Escravidões, servidões, guerras e prisões, são as conseqüências do ato de dominar, possuir, manipular. A vida material, aos poucos, veio preencher as lacunas deixadas pelas ações inocentes e românticas do homem primitivo. As relações sociais tornam-se, cada vez mais, relações de poder e força. A necessidade constante de está no controle das inúmeras situações é alimentada pela sociedade do espetáculo, onde possuir é sinônimo de “ser mais”. O advento da revolução cibernética nos conduziu ao fundo de um complexo turbilhão de valores invertidos. Amamos o poder e não a nós ou ao outro. Estamos impregnados de um egocentrismo sem fim. A incessante busca de “ser mais”, nossa existência limita-se ao materialismo utilitário. Os homens não são mais seres corpóreos, compostos de sentimentos e emoções, são máquinas programadas onde a vida útil e as sensações são estipuladas pela sociedade. O mecanicismo de nossas ações e decisões demonstra puramente que precisamos, urgentemente, nos reencontrar, pois nos perdemos dentro de nós mesmos, tornando-se reféns de nosso próprio labirinto. O poeta Mário de Sá Carneiro, em poema de grande beleza já afirmava:
Perdi-me dentro de mim,
Porque era um labirinto.
E hoje quando me sinto,
É com saudade de mim.
A cristalização do útil, pelas atitudes individualistas, competitivas e conflituosas do capitalismo pós-moderno, nos convida a realizar com mais humanismo um mergulho na fonte de nossa existência, e, assim, reencontramos, e quem sabe, voltarmos a nos reconhecer. Perdemos nossa identidade essencial, nos transformamos em seres em potencial, porém, frágeis no campo sentimental. Onde está nossa utilidade? No outro? Certamente não. A resposta, assim como a vida cotidiana atual, é individual. Afinal, seguindo essa trilha vamos sempre está em busca do nada para conseguir o útil: o poder individual.
Algumas pessoas poderão e deverão compreender-me, outras, terão certeza de que essas palavras são frutos de um ser frustrado do mundo materialista. O oceano das minhas emoções é tão complexo e gigantesco, que seria impossível retratá-los ou descrevê-los em um mísero e efêmero texto. Reencontrar-me é a melhor forma de não tornar minha existência condicionada, nem tampouco promíscua. Precisamos urgentemente ser mais humanos e menos robóticos, mais dionisíaco e menos apolíneo. Precisamos urgentemente nos tornar menos civilizados!

Reginaldo Cabral.

Um comentário:

  1. "Algumas pessoas poderão e deverão compreender-me, outras, terão certeza de que essas palavras são frutos de um ser frustrado do mundo materialista.
    Precisamos urgentemente nos tornar menos civilizados!"
    Mais humanos, mais sentimentais (não romântico), em busca de um sentido maior e
    melhor em nossas vidas.
    Compartilho contigo alguns dos seus pensamentos acima.

    Abraço fraterno

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