A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...
Rubem Alves.
"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
Rubem Alves
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Rubem Alves
Reginaldo Cabral
crônicas, poemas e outras coisas mais.
sábado, 10 de março de 2012
há contrapontos de silêncios inesperados?
Há dias que acontece um travamento estranho e geral. Parece que se institui um silêncio interior, totalmente, incomum. Procuramos diálogos, estimulamos lembranças, afirmamos saudades, mas nada se agita. A calmaria não cede. As palavras fogem e as metáforas se acomodam. A inércia e a apatia exercem uma soberania sufocante. O pior é a perplexidade. Há uma melancolia que compromete o ânimo da vida. Talvez, uma longa reflexão. Talvez, um cansaço repentino. A mente e o coração se dispersam como se promovessem um desencontro desnorteante de tempo indefinido. O rosto olha-se no espelho com indiferença, escondendo a palidez de um susto anônimo.
O silêncio se completa. Nada é absoluto, sabemos. A sensação do absoluto, porém, aparece e traz ilusões. Os instantes pesam como se fossem horas, dias, meses. As relatividades das linhas do tempo possue configurações velozes, quando os sentidos se desequilibram e as medidas se desmancham. Pode ser o sono ou a desconsideração com as circunstâncias do mundo. Nem sempre é possível ativar a consciência. Há sinais de tonturas que deixam as imagens desfiguradas. Pela janela, os movimentos dos carros e das pessoas servem para retomar o contato com os ruídos e desfazer o susto. Para que serve mergulhar numa interioridade que não se comunica e sepulta as identidades vadias?
As histórias de dentro e de fora compõem a vida. Dizer onde está o começo de tudo é uma agonia. Quem sabe? Quem especula? Quem não suspira quando observa a falta de luz e a energia esvaziada? Esta falta de controle, sobre certos momentos da vida, não é privilégio, nem desenha caminhos esburacados, sem alternativas, feitos nas vizinhanças dos abismos. A distância entre a vida e a morte faz parte de uma geometria vacilante. O saber científico desvenda mistérios, mas tergiversa e confirma as incompletudes e o desejo de abraçar a eternidade. Os imaginários das culturas alertam para que as fantasias não adormeçam, pois seria a decretação do fim da história.
A ficção está presente e se estende por todas as épocas. Não se trata de delírio, mas de conversas que tornam as lacunas suportáveis. Portanto, é impossível olhar o real como uma fotografia imóvel. O corpo se alimenta de deslocamentos, não se exaure com os ataques do silêncio. Nem sempre conseguimos percebê-los. Não herdamos todas as astúcias de Ulisses, passeamos por uma cultura que se julga ambiciosa e racional. A medida da grana é uma ameaça à sensibilidade que ousamos substituir por tecnologias e fórmulas matemáticas.
O silêncio e solidão podem comungar de instantes e sacudir fora os ruídos que impedem a plenitude da noites. Nomeamos cada significado, não importa que o efêmero derrube promessas ou esfacele durações. A ausência de linguagem é o fim da cultura, a travessia última da história. Melhor é não costurar apocalipses, nem assombrar quem não acredita que a cultura é um invenção humana, habitação de deuses e de arcanjos, ficção ampla de projeções que concretizam mundo. Tudo é muito pouco, para tantas ambiguidades mutantes. O inesperado assusta, o silêncio camufla, a solidão contrai, sem calendários fixos.
Antonio Paulo Rezende
O silêncio se completa. Nada é absoluto, sabemos. A sensação do absoluto, porém, aparece e traz ilusões. Os instantes pesam como se fossem horas, dias, meses. As relatividades das linhas do tempo possue configurações velozes, quando os sentidos se desequilibram e as medidas se desmancham. Pode ser o sono ou a desconsideração com as circunstâncias do mundo. Nem sempre é possível ativar a consciência. Há sinais de tonturas que deixam as imagens desfiguradas. Pela janela, os movimentos dos carros e das pessoas servem para retomar o contato com os ruídos e desfazer o susto. Para que serve mergulhar numa interioridade que não se comunica e sepulta as identidades vadias?
As histórias de dentro e de fora compõem a vida. Dizer onde está o começo de tudo é uma agonia. Quem sabe? Quem especula? Quem não suspira quando observa a falta de luz e a energia esvaziada? Esta falta de controle, sobre certos momentos da vida, não é privilégio, nem desenha caminhos esburacados, sem alternativas, feitos nas vizinhanças dos abismos. A distância entre a vida e a morte faz parte de uma geometria vacilante. O saber científico desvenda mistérios, mas tergiversa e confirma as incompletudes e o desejo de abraçar a eternidade. Os imaginários das culturas alertam para que as fantasias não adormeçam, pois seria a decretação do fim da história.
A ficção está presente e se estende por todas as épocas. Não se trata de delírio, mas de conversas que tornam as lacunas suportáveis. Portanto, é impossível olhar o real como uma fotografia imóvel. O corpo se alimenta de deslocamentos, não se exaure com os ataques do silêncio. Nem sempre conseguimos percebê-los. Não herdamos todas as astúcias de Ulisses, passeamos por uma cultura que se julga ambiciosa e racional. A medida da grana é uma ameaça à sensibilidade que ousamos substituir por tecnologias e fórmulas matemáticas.
O silêncio e solidão podem comungar de instantes e sacudir fora os ruídos que impedem a plenitude da noites. Nomeamos cada significado, não importa que o efêmero derrube promessas ou esfacele durações. A ausência de linguagem é o fim da cultura, a travessia última da história. Melhor é não costurar apocalipses, nem assombrar quem não acredita que a cultura é um invenção humana, habitação de deuses e de arcanjos, ficção ampla de projeções que concretizam mundo. Tudo é muito pouco, para tantas ambiguidades mutantes. O inesperado assusta, o silêncio camufla, a solidão contrai, sem calendários fixos.
Antonio Paulo Rezende
A PROBLEMÁTICA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: VÁRIOS PROBLEMAS, NENHUMA SOLUÇÃO!
É indiscutível que a educação no Brasil sofre de infecções generalizadas. Infecções essas que possuem várias causas e consequências sem tamanho. Desde a escola pública que, em sua grande maioria são sucateadas, ou, em situações mais críticas, local de comércio de materiais ilícitos, até as escolas particulares, onde os alunos reforçam, de maneira bem nítida, os laços de clientelas com as instituições outrora chamadas de casa de educação, onde os comportamentos autônomos e autoritários dentro de sala de aula demonstram a ideia errônea de que os mesmos são peças fundamentais da engrenagem. Seria isso absurdo? Seria isso errado? Além disso, os pais, em grande maioria demonstram comportamentos quase sempre coniventes e impotentes em relação a alguns assuntos pedagógicos, onde sua ação deveria estar no bojo de um processo integrado entre escola e sociedade.
Concordo com grande parte dos professores quando os mesmos afirmam que a educação brasileira tal como está, é um crime contra a saúde. Sem dúvida! O compromisso exarcebado do profissional, quase sempre sem recompensa ou reconhecimento, alcança limites extremos.
Porém, alguns questionamentos devem ser feitos:
As mudanças revolucionárias são frutos de uma ação voluntária e individual ou são de origem coletiva? Na história das civilizações as pessoas esperaram as mudanças e revoluções ou sem propuseram a fazê-la? A educação brasileira é caótica e deficiente, mas de quem é a culpa? Dos pais que utilizam a escola como depósito de alunos? Dos teóricos pedagógicos que encaram a educação brasileira como uma grande mudança disfarçada de nada, ou um grande nada disfarçado de mudança? Dos professores que lutam diariamente contra essa formatação absurda? Ou porque a classe docente é, em sua grande maioria, movida por um sentimento de auto-depreciação, ou porque o seu compromisso está , tão somente, na estabilidade financeira oferecida pela esfera pública, e dessa forma, reacionários a qualquer tipo de mudança.
Por muitos anos eu senti uma raiva enorme do “sistema” como se o mesmo fosse uma pessoa, no qual residiam dos os meus instintos selvagens e primitivos. Mas o “sistema” não é uma pessoa e sim uma coletividade. A revolução educacional, e por que não dizer social, não será fruto de uma canetada fortuita de um governante ou de um grupo!
A revolução da educação reside, essencialmente, na vontade interna de mudança primeiro dos docentes reacionários, em tentar fazer educação sem desprezar o financeiro, mas em está comprometido verdadeiramente, com a questão social. Afinal de contas, nós não fomos impelidos a nos enveredar pela pedagogia, nós a escolhemos e, sendo assim, é sempre bom lembrar que a vida é feita de escolhas.
Concordo que o sistema educacional é falho, mas sei que também faço parte desse sistema, e por isso, prefiro morrer tentando mudá-lo a me entre entregar a ele, embora essa condição seja bem mais cômoda!
As revoluções externadas nada mais são do que os afloramentos das convicções internas. Já afirmava Nietzsche “torna-te que tu és”. O princípio das coisas, desde já, faz-se inconsequente e desprezível. Resta-nos apenas a conjectura e a edificação delas. Portanto, desprendemo-nos da ânsia, e partimos para o concreto.
Concordo com grande parte dos professores quando os mesmos afirmam que a educação brasileira tal como está, é um crime contra a saúde. Sem dúvida! O compromisso exarcebado do profissional, quase sempre sem recompensa ou reconhecimento, alcança limites extremos.
Porém, alguns questionamentos devem ser feitos:
As mudanças revolucionárias são frutos de uma ação voluntária e individual ou são de origem coletiva? Na história das civilizações as pessoas esperaram as mudanças e revoluções ou sem propuseram a fazê-la? A educação brasileira é caótica e deficiente, mas de quem é a culpa? Dos pais que utilizam a escola como depósito de alunos? Dos teóricos pedagógicos que encaram a educação brasileira como uma grande mudança disfarçada de nada, ou um grande nada disfarçado de mudança? Dos professores que lutam diariamente contra essa formatação absurda? Ou porque a classe docente é, em sua grande maioria, movida por um sentimento de auto-depreciação, ou porque o seu compromisso está , tão somente, na estabilidade financeira oferecida pela esfera pública, e dessa forma, reacionários a qualquer tipo de mudança.
Por muitos anos eu senti uma raiva enorme do “sistema” como se o mesmo fosse uma pessoa, no qual residiam dos os meus instintos selvagens e primitivos. Mas o “sistema” não é uma pessoa e sim uma coletividade. A revolução educacional, e por que não dizer social, não será fruto de uma canetada fortuita de um governante ou de um grupo!
A revolução da educação reside, essencialmente, na vontade interna de mudança primeiro dos docentes reacionários, em tentar fazer educação sem desprezar o financeiro, mas em está comprometido verdadeiramente, com a questão social. Afinal de contas, nós não fomos impelidos a nos enveredar pela pedagogia, nós a escolhemos e, sendo assim, é sempre bom lembrar que a vida é feita de escolhas.
Concordo que o sistema educacional é falho, mas sei que também faço parte desse sistema, e por isso, prefiro morrer tentando mudá-lo a me entre entregar a ele, embora essa condição seja bem mais cômoda!
As revoluções externadas nada mais são do que os afloramentos das convicções internas. Já afirmava Nietzsche “torna-te que tu és”. O princípio das coisas, desde já, faz-se inconsequente e desprezível. Resta-nos apenas a conjectura e a edificação delas. Portanto, desprendemo-nos da ânsia, e partimos para o concreto.
sábado, 31 de dezembro de 2011
A ESSÊNCIA DO NATAL
Em meio às festividades natalinas, uma pequena afirmação de minha menina de apenas três anos e meio, revelou-me, quase que instantaneamente a necessidade de refletir sobre a essência do natal. A afirmação da mesma foi, de maneira bem enérgica, que papai Noel era um grande mentiroso!
De início, um levante coletivo surgiu para desfazer tal pensamento, conduzindo a menina ao abismo do irreal, devolvendo a ela a crença num ser mitológico, ou melhor, folclórico. Porém, depois de alguns minutos de ruminação para desenvolver uma resposta condizente á tenacidade da pergunta, percebi que o assunto é bem mais complexo do que imaginamos. Isso me fez remontar uma conversa que tive com certo amigo acerca da falta de transparência e de verdade nas ações das pessoas. O mesmo disse o seguinte “se somos transparentes assustamos, se verdadeiros, magoamos. As pessoas não estão preparadas para ouvirem a verdade e sim aquilo que querem ouvir! Ser amigo não é agradar sempre, é também ser contundente quando necessário, pois o carinho nem sempre é pedagógico.
Porque de tanto esforço para não esclarecer o que uma menina de apenas três anos conseguiu enxergar, fugindo das armadilhas (mídia), condicionadoras de pensamentos? Porque não dizer que papai Noel não é mentiroso, e sim a própria mentira, forjada pela égide do capitalismo cruel e consumista? Então logo tentei respondê-la.
Filha, papai Noel não existe! Deus é que verdadeiramente existe. O velhinho gordo, com renas e trenós, mão passa de uma armação! Se você quiser, papai te leva aos correios para lhe mostrar a quantidade de cartas que há para papai Noel pedindo sua visita. Cartas essas, feita por crianças órfãs, ou que possuem pais se condições de presenteá-las, logo o papai Noel não irá visitá-las. Minha filha, Deus (papai do céu), que ordena tudo o que há nesse mundo, é quem supre todas as nossas necessidades, porque ele é amor e amar não é uma coisa fácil!
Filha, você sabia que deus enviou para a terra um filho para redimir e ensinar, com extrema autoridade e humildade, um povo hipócrita, mentiroso, pecador e autodestrutivo a amar? Você sabia filha que esse homem filho de Deus morreu por nós? Eu pergunto querida filha, quem de nós possui um amor tão grande, capaz de entregar um filho à morte por pessoas não merecedoras. Filha, o natal é a celebração do nascimento desse filho de Deus. O natal é Jesus!
Filha, todos nós temos, nem que seja lá no fundo, um cristo, pois o nosso corpo é a morada do seu espírito. Ele é um sol que brilha para todos, pois o mesmo é parte de todos nós. Então filhinha, o papai Noel não veio e nem virá, mas o teu presente eu tenho e é um abraço e um beijo meu, pois o abraço é remédio para o corpo, e o beijo é cura para a alma. (Reginaldo Cabral)
De início, um levante coletivo surgiu para desfazer tal pensamento, conduzindo a menina ao abismo do irreal, devolvendo a ela a crença num ser mitológico, ou melhor, folclórico. Porém, depois de alguns minutos de ruminação para desenvolver uma resposta condizente á tenacidade da pergunta, percebi que o assunto é bem mais complexo do que imaginamos. Isso me fez remontar uma conversa que tive com certo amigo acerca da falta de transparência e de verdade nas ações das pessoas. O mesmo disse o seguinte “se somos transparentes assustamos, se verdadeiros, magoamos. As pessoas não estão preparadas para ouvirem a verdade e sim aquilo que querem ouvir! Ser amigo não é agradar sempre, é também ser contundente quando necessário, pois o carinho nem sempre é pedagógico.
Porque de tanto esforço para não esclarecer o que uma menina de apenas três anos conseguiu enxergar, fugindo das armadilhas (mídia), condicionadoras de pensamentos? Porque não dizer que papai Noel não é mentiroso, e sim a própria mentira, forjada pela égide do capitalismo cruel e consumista? Então logo tentei respondê-la.
Filha, papai Noel não existe! Deus é que verdadeiramente existe. O velhinho gordo, com renas e trenós, mão passa de uma armação! Se você quiser, papai te leva aos correios para lhe mostrar a quantidade de cartas que há para papai Noel pedindo sua visita. Cartas essas, feita por crianças órfãs, ou que possuem pais se condições de presenteá-las, logo o papai Noel não irá visitá-las. Minha filha, Deus (papai do céu), que ordena tudo o que há nesse mundo, é quem supre todas as nossas necessidades, porque ele é amor e amar não é uma coisa fácil!
Filha, você sabia que deus enviou para a terra um filho para redimir e ensinar, com extrema autoridade e humildade, um povo hipócrita, mentiroso, pecador e autodestrutivo a amar? Você sabia filha que esse homem filho de Deus morreu por nós? Eu pergunto querida filha, quem de nós possui um amor tão grande, capaz de entregar um filho à morte por pessoas não merecedoras. Filha, o natal é a celebração do nascimento desse filho de Deus. O natal é Jesus!
Filha, todos nós temos, nem que seja lá no fundo, um cristo, pois o nosso corpo é a morada do seu espírito. Ele é um sol que brilha para todos, pois o mesmo é parte de todos nós. Então filhinha, o papai Noel não veio e nem virá, mas o teu presente eu tenho e é um abraço e um beijo meu, pois o abraço é remédio para o corpo, e o beijo é cura para a alma. (Reginaldo Cabral)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO É PALCO PARA A INVERSÃO DE VALORES.
A carência de ídolos ou heróis pode ser tão nociva a uma sociedade como uma sucessão de desmandos políticos públicos. Isso pode ser verificado no nosso cotidiano, ou ao menos por aqueles que possuem uma visão além daquilo que é possível fisicamente enxergar. Assim como afirmou Mahatma Gandhi que o futuro não é o que tem de ser, e sim aquilo que você faz com o seu presente, nossa vida não é um acaso, e sim um conjunto trilhado, mais ou menos em sincronia com o outro. Sendo assim, se analisarmos o que estamos construindo para um futuro a médio e curto prazo, vamos nos deparar com um nada disfarçado de mudança, ou uma mudança disfarçada de nada.
Estamos vivenciando uma geração sem ídolos, isso indica que quase não possui referência! Estamos presenciando um nada! O que dizer do movimento estudantil, que não possui mais essência política, possuindo, sim, uma essência eleitoreira. O que dizer de uma sociedade que pede paz e consome violência, quando dá audiência a programas policiais sensacionalistas, e também exaltam lutas de MMA – uma volta ao barbarismo humano – onde aniquilar o próximo é a meta? O que dizer de uma sociedade onde Bruna Surfistinha é Best Sellers, digna de ter uma autobiografia cinematográfica? Uma sociedade onde a cultura é paliativa, ou seja, as músicas, as artes, os livros, são como comprimidos, tem um prazo de validade estabelecido, quando deveriam ser eternos, nossos ídolos são meros indigentes (Mc Sheldon, Ivete Sangalo, Bruna surfistinha e Minotauro).
Só para relembrar, o futuro não é o que tem de ser, e sim aquilo que você faz com o seu presente. Os anos 90 acabaram com o nosso futuro.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
MANIFESTO AO PODER
AOS PODEROSOS, TUDO?
SIM, AOS PODEROSOS TUDO!
TODA A GLÓRIA,
TODA A POMPA,
TODOS OS MÉRITOS,
TODAS AS ATENÇÕES,
AOS PODEROSOS, TUDO!
OS PODEROSOS NÃO SOFREM.
SÃO ESTÁTICOS, FANÁTICOS, LUNÁTICOS!
ACREDITO ATÉ QUE SÃO INATINGÍVEIS.
AH! QUE BELA A SENSAÇÃO A DE SER PODEROSO!
TUDO É MEU, TUDO SOU EU.
BASTA UM PISCAR DE OLHOS E TUDO ESTÁ DO MEU JEITO.
MAS, CUIDADO PODEROSOS!
ESSES PODERES PODEM SER LEGÍTIMOS, MAS NÃO SÃO ETERNOS.
E AS INSTITUICÕES? PODEROSÍSSIMAS!
SUAS DECISÕES? FRÁGEIS, MUITO FRÁGEIS!
PODEROSOS, APRENDAM COM A PRIMAVERA:
TRANSFORMAR, MUDAR, NASCER, CRIAR, PENSAR.
A PRIMAVERA É ISSO TUDO. E VOCÊS?
HUMANOS, MÍSEROS HUMANOS!
TODOS NÓS, PODEROSOS OU NÃO, SOMOS REPRESENTANTES E HERDEIROS DA MEDIOCRIDADE HUMANA.
ENTÃO, POR QUE NÃO APRENDER COM A PRIMAVERA?
POR QUE NÃO ADMITIR QUE É CHEGADA A HORA DE RENASCER?
ENTENDO!
RECONHECER QUE NÃO SOMOS TÃO IMPORTANTES ASSIM, DIMINUI NOSSA CONFORTÁVEL SENSAÇÃO DE PODER.
MAS, INSISTO, APRENDAM COM A PRIMAVERA!
DEIXEM AS BATINAS!
GUARDEM OS CRUCIFIXOS!
ESQUEÇAM O PODER INSTITUCIONAL POR ALGUNS INSTANTES E TENTEM RENASCER.
PODEROSOS, APRENDAM COM A PRIMAVERA, POIS O PASSADO NÃO VOLTARÁ E O FUTURO...
VIVA GANDHI!
E O QUE DIZER DE MANDELA?
FANTÁSTICOS!
PODEROSOS, SIM, MAS PODEROSOS DE ESSÊNCIA!
SÓ ISSO BASTA!
PODEROSOS,
NÃO PREGUEM O PODER,
PREGUEM O AMOR!
NÃO PREGUEM O AMOR,
PRATIQUEM O AMOR!
PODEROSOS, ULTIMA CHAMADA!
APRENDAM COM A PRIMAVERA!
POIS O PASSADO NÃO VOLTARÁ, E O FUTURO TALVEZ NÃO CHEGUE.
(Reginaldo Cabral)
SIM, AOS PODEROSOS TUDO!
TODA A GLÓRIA,
TODA A POMPA,
TODOS OS MÉRITOS,
TODAS AS ATENÇÕES,
AOS PODEROSOS, TUDO!
OS PODEROSOS NÃO SOFREM.
SÃO ESTÁTICOS, FANÁTICOS, LUNÁTICOS!
ACREDITO ATÉ QUE SÃO INATINGÍVEIS.
AH! QUE BELA A SENSAÇÃO A DE SER PODEROSO!
TUDO É MEU, TUDO SOU EU.
BASTA UM PISCAR DE OLHOS E TUDO ESTÁ DO MEU JEITO.
MAS, CUIDADO PODEROSOS!
ESSES PODERES PODEM SER LEGÍTIMOS, MAS NÃO SÃO ETERNOS.
E AS INSTITUICÕES? PODEROSÍSSIMAS!
SUAS DECISÕES? FRÁGEIS, MUITO FRÁGEIS!
PODEROSOS, APRENDAM COM A PRIMAVERA:
TRANSFORMAR, MUDAR, NASCER, CRIAR, PENSAR.
A PRIMAVERA É ISSO TUDO. E VOCÊS?
HUMANOS, MÍSEROS HUMANOS!
TODOS NÓS, PODEROSOS OU NÃO, SOMOS REPRESENTANTES E HERDEIROS DA MEDIOCRIDADE HUMANA.
ENTÃO, POR QUE NÃO APRENDER COM A PRIMAVERA?
POR QUE NÃO ADMITIR QUE É CHEGADA A HORA DE RENASCER?
ENTENDO!
RECONHECER QUE NÃO SOMOS TÃO IMPORTANTES ASSIM, DIMINUI NOSSA CONFORTÁVEL SENSAÇÃO DE PODER.
MAS, INSISTO, APRENDAM COM A PRIMAVERA!
DEIXEM AS BATINAS!
GUARDEM OS CRUCIFIXOS!
ESQUEÇAM O PODER INSTITUCIONAL POR ALGUNS INSTANTES E TENTEM RENASCER.
PODEROSOS, APRENDAM COM A PRIMAVERA, POIS O PASSADO NÃO VOLTARÁ E O FUTURO...
VIVA GANDHI!
E O QUE DIZER DE MANDELA?
FANTÁSTICOS!
PODEROSOS, SIM, MAS PODEROSOS DE ESSÊNCIA!
SÓ ISSO BASTA!
PODEROSOS,
NÃO PREGUEM O PODER,
PREGUEM O AMOR!
NÃO PREGUEM O AMOR,
PRATIQUEM O AMOR!
PODEROSOS, ULTIMA CHAMADA!
APRENDAM COM A PRIMAVERA!
POIS O PASSADO NÃO VOLTARÁ, E O FUTURO TALVEZ NÃO CHEGUE.
(Reginaldo Cabral)
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Pós-modernidade e individualismo: A necessidade de reencontrar o eu.
Ao mergulharmos no tempo e analisarmos o início das relações humanas, enxergamos nessa sociabilidade característica nossa, certo romantismo, ou melhor, um sentido realmente de humanismo entre os seres. A noção altruísta do homem era superior à egoísta, não pela questão racional, mas pela própria necessidade, já que a vida em grupo significava maior possibilidade de ultrapassagem dos vários obstáculos e barreiras que nossa espécie se defrontou. A felicidade era considerada uma ação grupal. O homem, mesmo ainda limitado em relação ao conhecimento do mundo físico-natural, sentia-se pertencente à totalidade, enfim, sentia-se homem.
Após a diferenciação de classes, típico do ato civilizatório, o cenário da vida e seus respectivos personagens assumem posturas, que, ao passar dos anos, se solidificaram como essência da existência humana, o individualismo. A noção de propriedade privada, assim como afirmou Frederich Engels, “foi o início da destruição do homem pelo próprio homem”. Escravidões, servidões, guerras e prisões, são as conseqüências do ato de dominar, possuir, manipular. A vida material, aos poucos, veio preencher as lacunas deixadas pelas ações inocentes e românticas do homem primitivo. As relações sociais tornam-se, cada vez mais, relações de poder e força. A necessidade constante de está no controle das inúmeras situações é alimentada pela sociedade do espetáculo, onde possuir é sinônimo de “ser mais”. O advento da revolução cibernética nos conduziu ao fundo de um complexo turbilhão de valores invertidos. Amamos o poder e não a nós ou ao outro. Estamos impregnados de um egocentrismo sem fim. A incessante busca de “ser mais”, nossa existência limita-se ao materialismo utilitário. Os homens não são mais seres corpóreos, compostos de sentimentos e emoções, são máquinas programadas onde a vida útil e as sensações são estipuladas pela sociedade. O mecanicismo de nossas ações e decisões demonstra puramente que precisamos, urgentemente, nos reencontrar, pois nos perdemos dentro de nós mesmos, tornando-se reféns de nosso próprio labirinto. O poeta Mário de Sá Carneiro, em poema de grande beleza já afirmava:
Perdi-me dentro de mim,
Porque era um labirinto.
E hoje quando me sinto,
É com saudade de mim.
A cristalização do útil, pelas atitudes individualistas, competitivas e conflituosas do capitalismo pós-moderno, nos convida a realizar com mais humanismo um mergulho na fonte de nossa existência, e, assim, reencontramos, e quem sabe, voltarmos a nos reconhecer. Perdemos nossa identidade essencial, nos transformamos em seres em potencial, porém, frágeis no campo sentimental. Onde está nossa utilidade? No outro? Certamente não. A resposta, assim como a vida cotidiana atual, é individual. Afinal, seguindo essa trilha vamos sempre está em busca do nada para conseguir o útil: o poder individual.
Algumas pessoas poderão e deverão compreender-me, outras, terão certeza de que essas palavras são frutos de um ser frustrado do mundo materialista. O oceano das minhas emoções é tão complexo e gigantesco, que seria impossível retratá-los ou descrevê-los em um mísero e efêmero texto. Reencontrar-me é a melhor forma de não tornar minha existência condicionada, nem tampouco promíscua. Precisamos urgentemente ser mais humanos e menos robóticos, mais dionisíaco e menos apolíneo. Precisamos urgentemente nos tornar menos civilizados!
Reginaldo Cabral.
Após a diferenciação de classes, típico do ato civilizatório, o cenário da vida e seus respectivos personagens assumem posturas, que, ao passar dos anos, se solidificaram como essência da existência humana, o individualismo. A noção de propriedade privada, assim como afirmou Frederich Engels, “foi o início da destruição do homem pelo próprio homem”. Escravidões, servidões, guerras e prisões, são as conseqüências do ato de dominar, possuir, manipular. A vida material, aos poucos, veio preencher as lacunas deixadas pelas ações inocentes e românticas do homem primitivo. As relações sociais tornam-se, cada vez mais, relações de poder e força. A necessidade constante de está no controle das inúmeras situações é alimentada pela sociedade do espetáculo, onde possuir é sinônimo de “ser mais”. O advento da revolução cibernética nos conduziu ao fundo de um complexo turbilhão de valores invertidos. Amamos o poder e não a nós ou ao outro. Estamos impregnados de um egocentrismo sem fim. A incessante busca de “ser mais”, nossa existência limita-se ao materialismo utilitário. Os homens não são mais seres corpóreos, compostos de sentimentos e emoções, são máquinas programadas onde a vida útil e as sensações são estipuladas pela sociedade. O mecanicismo de nossas ações e decisões demonstra puramente que precisamos, urgentemente, nos reencontrar, pois nos perdemos dentro de nós mesmos, tornando-se reféns de nosso próprio labirinto. O poeta Mário de Sá Carneiro, em poema de grande beleza já afirmava:
Perdi-me dentro de mim,
Porque era um labirinto.
E hoje quando me sinto,
É com saudade de mim.
A cristalização do útil, pelas atitudes individualistas, competitivas e conflituosas do capitalismo pós-moderno, nos convida a realizar com mais humanismo um mergulho na fonte de nossa existência, e, assim, reencontramos, e quem sabe, voltarmos a nos reconhecer. Perdemos nossa identidade essencial, nos transformamos em seres em potencial, porém, frágeis no campo sentimental. Onde está nossa utilidade? No outro? Certamente não. A resposta, assim como a vida cotidiana atual, é individual. Afinal, seguindo essa trilha vamos sempre está em busca do nada para conseguir o útil: o poder individual.
Algumas pessoas poderão e deverão compreender-me, outras, terão certeza de que essas palavras são frutos de um ser frustrado do mundo materialista. O oceano das minhas emoções é tão complexo e gigantesco, que seria impossível retratá-los ou descrevê-los em um mísero e efêmero texto. Reencontrar-me é a melhor forma de não tornar minha existência condicionada, nem tampouco promíscua. Precisamos urgentemente ser mais humanos e menos robóticos, mais dionisíaco e menos apolíneo. Precisamos urgentemente nos tornar menos civilizados!
Reginaldo Cabral.
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