Em meio às festividades natalinas, uma pequena afirmação de minha menina de apenas três anos e meio, revelou-me, quase que instantaneamente a necessidade de refletir sobre a essência do natal. A afirmação da mesma foi, de maneira bem enérgica, que papai Noel era um grande mentiroso!
De início, um levante coletivo surgiu para desfazer tal pensamento, conduzindo a menina ao abismo do irreal, devolvendo a ela a crença num ser mitológico, ou melhor, folclórico. Porém, depois de alguns minutos de ruminação para desenvolver uma resposta condizente á tenacidade da pergunta, percebi que o assunto é bem mais complexo do que imaginamos. Isso me fez remontar uma conversa que tive com certo amigo acerca da falta de transparência e de verdade nas ações das pessoas. O mesmo disse o seguinte “se somos transparentes assustamos, se verdadeiros, magoamos. As pessoas não estão preparadas para ouvirem a verdade e sim aquilo que querem ouvir! Ser amigo não é agradar sempre, é também ser contundente quando necessário, pois o carinho nem sempre é pedagógico.
Porque de tanto esforço para não esclarecer o que uma menina de apenas três anos conseguiu enxergar, fugindo das armadilhas (mídia), condicionadoras de pensamentos? Porque não dizer que papai Noel não é mentiroso, e sim a própria mentira, forjada pela égide do capitalismo cruel e consumista? Então logo tentei respondê-la.
Filha, papai Noel não existe! Deus é que verdadeiramente existe. O velhinho gordo, com renas e trenós, mão passa de uma armação! Se você quiser, papai te leva aos correios para lhe mostrar a quantidade de cartas que há para papai Noel pedindo sua visita. Cartas essas, feita por crianças órfãs, ou que possuem pais se condições de presenteá-las, logo o papai Noel não irá visitá-las. Minha filha, Deus (papai do céu), que ordena tudo o que há nesse mundo, é quem supre todas as nossas necessidades, porque ele é amor e amar não é uma coisa fácil!
Filha, você sabia que deus enviou para a terra um filho para redimir e ensinar, com extrema autoridade e humildade, um povo hipócrita, mentiroso, pecador e autodestrutivo a amar? Você sabia filha que esse homem filho de Deus morreu por nós? Eu pergunto querida filha, quem de nós possui um amor tão grande, capaz de entregar um filho à morte por pessoas não merecedoras. Filha, o natal é a celebração do nascimento desse filho de Deus. O natal é Jesus!
Filha, todos nós temos, nem que seja lá no fundo, um cristo, pois o nosso corpo é a morada do seu espírito. Ele é um sol que brilha para todos, pois o mesmo é parte de todos nós. Então filhinha, o papai Noel não veio e nem virá, mas o teu presente eu tenho e é um abraço e um beijo meu, pois o abraço é remédio para o corpo, e o beijo é cura para a alma. (Reginaldo Cabral)
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO É PALCO PARA A INVERSÃO DE VALORES.
A carência de ídolos ou heróis pode ser tão nociva a uma sociedade como uma sucessão de desmandos políticos públicos. Isso pode ser verificado no nosso cotidiano, ou ao menos por aqueles que possuem uma visão além daquilo que é possível fisicamente enxergar. Assim como afirmou Mahatma Gandhi que o futuro não é o que tem de ser, e sim aquilo que você faz com o seu presente, nossa vida não é um acaso, e sim um conjunto trilhado, mais ou menos em sincronia com o outro. Sendo assim, se analisarmos o que estamos construindo para um futuro a médio e curto prazo, vamos nos deparar com um nada disfarçado de mudança, ou uma mudança disfarçada de nada.
Estamos vivenciando uma geração sem ídolos, isso indica que quase não possui referência! Estamos presenciando um nada! O que dizer do movimento estudantil, que não possui mais essência política, possuindo, sim, uma essência eleitoreira. O que dizer de uma sociedade que pede paz e consome violência, quando dá audiência a programas policiais sensacionalistas, e também exaltam lutas de MMA – uma volta ao barbarismo humano – onde aniquilar o próximo é a meta? O que dizer de uma sociedade onde Bruna Surfistinha é Best Sellers, digna de ter uma autobiografia cinematográfica? Uma sociedade onde a cultura é paliativa, ou seja, as músicas, as artes, os livros, são como comprimidos, tem um prazo de validade estabelecido, quando deveriam ser eternos, nossos ídolos são meros indigentes (Mc Sheldon, Ivete Sangalo, Bruna surfistinha e Minotauro).
Só para relembrar, o futuro não é o que tem de ser, e sim aquilo que você faz com o seu presente. Os anos 90 acabaram com o nosso futuro.
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