sábado, 10 de março de 2012

Pensamentos!

A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...
Rubem Alves.

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
Rubem Alves

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Rubem Alves

há contrapontos de silêncios inesperados?

Há dias que acontece um travamento estranho e geral. Parece que se institui um silêncio interior, totalmente, incomum. Procuramos diálogos, estimulamos lembranças, afirmamos saudades, mas nada se agita. A calmaria não cede. As palavras fogem e as metáforas se acomodam. A inércia e a apatia exercem uma soberania sufocante. O pior é a perplexidade. Há uma melancolia que compromete o ânimo da vida. Talvez, uma longa reflexão. Talvez, um cansaço repentino. A mente e o coração se dispersam como se promovessem um desencontro desnorteante de tempo indefinido. O rosto olha-se no espelho com indiferença, escondendo a palidez de um susto anônimo.

O silêncio se completa. Nada é absoluto, sabemos. A sensação do absoluto, porém, aparece e traz ilusões. Os instantes pesam como se fossem horas, dias, meses. As relatividades das linhas do tempo possue configurações velozes, quando os sentidos se desequilibram e as medidas se desmancham. Pode ser o sono ou a desconsideração com as circunstâncias do mundo. Nem sempre é possível ativar a consciência. Há sinais de tonturas que deixam as imagens desfiguradas. Pela janela, os movimentos dos carros e das pessoas servem para retomar o contato com os ruídos e desfazer o susto. Para que serve mergulhar numa interioridade que não se comunica e sepulta as identidades vadias?

As histórias de dentro e de fora compõem a vida. Dizer onde está o começo de tudo é uma agonia. Quem sabe? Quem especula? Quem não suspira quando observa a falta de luz e a energia esvaziada? Esta falta de controle, sobre certos momentos da vida, não é privilégio, nem desenha caminhos esburacados, sem alternativas, feitos nas vizinhanças dos abismos. A distância entre a vida e a morte faz parte de uma geometria vacilante. O saber científico desvenda mistérios, mas tergiversa e confirma as incompletudes e o desejo de abraçar a eternidade. Os imaginários das culturas alertam para que as fantasias não adormeçam, pois seria a decretação do fim da história.

A ficção está presente e se estende por todas as épocas. Não se trata de delírio, mas de conversas que tornam as lacunas suportáveis. Portanto, é impossível olhar o real como uma fotografia imóvel. O corpo se alimenta de deslocamentos, não se exaure com os ataques do silêncio. Nem sempre conseguimos percebê-los. Não herdamos todas as astúcias de Ulisses, passeamos por uma cultura que se julga ambiciosa e racional. A medida da grana é uma ameaça à sensibilidade que ousamos substituir por tecnologias e fórmulas matemáticas.

O silêncio e solidão podem comungar de instantes e sacudir fora os ruídos que impedem a plenitude da noites. Nomeamos cada significado, não importa que o efêmero derrube promessas ou esfacele durações. A ausência de linguagem é o fim da cultura, a travessia última da história. Melhor é não costurar apocalipses, nem assombrar quem não acredita que a cultura é um invenção humana, habitação de deuses e de arcanjos, ficção ampla de projeções que concretizam mundo. Tudo é muito pouco, para tantas ambiguidades mutantes. O inesperado assusta, o silêncio camufla, a solidão contrai, sem calendários fixos.

Antonio Paulo Rezende

A PROBLEMÁTICA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: VÁRIOS PROBLEMAS, NENHUMA SOLUÇÃO!

É indiscutível que a educação no Brasil sofre de infecções generalizadas. Infecções essas que possuem várias causas e consequências sem tamanho. Desde a escola pública que, em sua grande maioria são sucateadas, ou, em situações mais críticas, local de comércio de materiais ilícitos, até as escolas particulares, onde os alunos reforçam, de maneira bem nítida, os laços de clientelas com as instituições outrora chamadas de casa de educação, onde os comportamentos autônomos e autoritários dentro de sala de aula demonstram a ideia errônea de que os mesmos são peças fundamentais da engrenagem. Seria isso absurdo? Seria isso errado? Além disso, os pais, em grande maioria demonstram comportamentos quase sempre coniventes e impotentes em relação a alguns assuntos pedagógicos, onde sua ação deveria estar no bojo de um processo integrado entre escola e sociedade.
Concordo com grande parte dos professores quando os mesmos afirmam que a educação brasileira tal como está, é um crime contra a saúde. Sem dúvida! O compromisso exarcebado do profissional, quase sempre sem recompensa ou reconhecimento, alcança limites extremos.
Porém, alguns questionamentos devem ser feitos:
As mudanças revolucionárias são frutos de uma ação voluntária e individual ou são de origem coletiva? Na história das civilizações as pessoas esperaram as mudanças e revoluções ou sem propuseram a fazê-la? A educação brasileira é caótica e deficiente, mas de quem é a culpa? Dos pais que utilizam a escola como depósito de alunos? Dos teóricos pedagógicos que encaram a educação brasileira como uma grande mudança disfarçada de nada, ou um grande nada disfarçado de mudança? Dos professores que lutam diariamente contra essa formatação absurda? Ou porque a classe docente é, em sua grande maioria, movida por um sentimento de auto-depreciação, ou porque o seu compromisso está , tão somente, na estabilidade financeira oferecida pela esfera pública, e dessa forma, reacionários a qualquer tipo de mudança.
Por muitos anos eu senti uma raiva enorme do “sistema” como se o mesmo fosse uma pessoa, no qual residiam dos os meus instintos selvagens e primitivos. Mas o “sistema” não é uma pessoa e sim uma coletividade. A revolução educacional, e por que não dizer social, não será fruto de uma canetada fortuita de um governante ou de um grupo!
A revolução da educação reside, essencialmente, na vontade interna de mudança primeiro dos docentes reacionários, em tentar fazer educação sem desprezar o financeiro, mas em está comprometido verdadeiramente, com a questão social. Afinal de contas, nós não fomos impelidos a nos enveredar pela pedagogia, nós a escolhemos e, sendo assim, é sempre bom lembrar que a vida é feita de escolhas.
Concordo que o sistema educacional é falho, mas sei que também faço parte desse sistema, e por isso, prefiro morrer tentando mudá-lo a me entre entregar a ele, embora essa condição seja bem mais cômoda!
As revoluções externadas nada mais são do que os afloramentos das convicções internas. Já afirmava Nietzsche “torna-te que tu és”. O princípio das coisas, desde já, faz-se inconsequente e desprezível. Resta-nos apenas a conjectura e a edificação delas. Portanto, desprendemo-nos da ânsia, e partimos para o concreto.