É indiscutível que a educação no Brasil sofre de infecções generalizadas. Infecções essas que possuem várias causas e consequências sem tamanho. Desde a escola pública que, em sua grande maioria são sucateadas, ou, em situações mais críticas, local de comércio de materiais ilícitos, até as escolas particulares, onde os alunos reforçam, de maneira bem nítida, os laços de clientelas com as instituições outrora chamadas de casa de educação, onde os comportamentos autônomos e autoritários dentro de sala de aula demonstram a ideia errônea de que os mesmos são peças fundamentais da engrenagem. Seria isso absurdo? Seria isso errado? Além disso, os pais, em grande maioria demonstram comportamentos quase sempre coniventes e impotentes em relação a alguns assuntos pedagógicos, onde sua ação deveria estar no bojo de um processo integrado entre escola e sociedade.
Concordo com grande parte dos professores quando os mesmos afirmam que a educação brasileira tal como está, é um crime contra a saúde. Sem dúvida! O compromisso exarcebado do profissional, quase sempre sem recompensa ou reconhecimento, alcança limites extremos.
Porém, alguns questionamentos devem ser feitos:
As mudanças revolucionárias são frutos de uma ação voluntária e individual ou são de origem coletiva? Na história das civilizações as pessoas esperaram as mudanças e revoluções ou sem propuseram a fazê-la? A educação brasileira é caótica e deficiente, mas de quem é a culpa? Dos pais que utilizam a escola como depósito de alunos? Dos teóricos pedagógicos que encaram a educação brasileira como uma grande mudança disfarçada de nada, ou um grande nada disfarçado de mudança? Dos professores que lutam diariamente contra essa formatação absurda? Ou porque a classe docente é, em sua grande maioria, movida por um sentimento de auto-depreciação, ou porque o seu compromisso está , tão somente, na estabilidade financeira oferecida pela esfera pública, e dessa forma, reacionários a qualquer tipo de mudança.
Por muitos anos eu senti uma raiva enorme do “sistema” como se o mesmo fosse uma pessoa, no qual residiam dos os meus instintos selvagens e primitivos. Mas o “sistema” não é uma pessoa e sim uma coletividade. A revolução educacional, e por que não dizer social, não será fruto de uma canetada fortuita de um governante ou de um grupo!
A revolução da educação reside, essencialmente, na vontade interna de mudança primeiro dos docentes reacionários, em tentar fazer educação sem desprezar o financeiro, mas em está comprometido verdadeiramente, com a questão social. Afinal de contas, nós não fomos impelidos a nos enveredar pela pedagogia, nós a escolhemos e, sendo assim, é sempre bom lembrar que a vida é feita de escolhas.
Concordo que o sistema educacional é falho, mas sei que também faço parte desse sistema, e por isso, prefiro morrer tentando mudá-lo a me entre entregar a ele, embora essa condição seja bem mais cômoda!
As revoluções externadas nada mais são do que os afloramentos das convicções internas. Já afirmava Nietzsche “torna-te que tu és”. O princípio das coisas, desde já, faz-se inconsequente e desprezível. Resta-nos apenas a conjectura e a edificação delas. Portanto, desprendemo-nos da ânsia, e partimos para o concreto.
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